SERRA CATARINENSE: URUBICI

Os vales se revelam e surpreendem os turistas
Quem vem de Florianópolis avista a primeira dessas placas que só existem nesse pedaço do Brasil logo no caminho para Urubici, na SC-430. A cidade, a 170 km da capital catarinense, é o principal ponto de apoio para explorar a natureza do Parque Nacional de São Joaquim. Cerca de 70% da área do parque está dentro dos limites do município, e não em São Joaquim, que fica a 62 km de distância. É que em 1961, quando a área de preservação foi criada para proteger as florestas de araucárias — na época sob sério risco de extinção devido a um desenfreado ciclo de madeira -Urubici ainda não era emancipada politicamente da vizinha, daí a confusão com os nomes. Nas proximidades, estão os dois principais cartões-postais da Serra Catarinense: a Cachoeira do Avencal, com cem metros de queda, e a Pedra Furada.

Urubici é uma cidade minúscula, com cerca de dez mil habitantes. Está assentada sob terreno plano ao longo do Vale do Rio Canoas e completamente cercada pó montanhas, que a obrigaram a um traçado urbanístico em forma de salame colonial, estreito e comprido. Resume-se praticamente a uma única avenida principal, que segue tranqüila atravessando a cidade toda. O comércio modesto em ambos os lados em nada aparenta o de um destino com tamanho potencial ecoturístico. Não há qualquer sinal do charme que virou marca de outras cidades da Serra Geral, mas do lado gaúcho, como Gramado ou Canela. Com exceção da bela igreja matriz, não há nada que salte aos olhos em Urubici.

Cascata Véu da Noiva
Mas há um slogan que chama a atenção, conforme atesta outra curiosa placa fixada entre as diversas lombadas eletrônicas da avenida principal: "Urubici, onde o Brasil é mais frio". A cidade orgulha-se do recorde de mais baixa temperatura já registrada no País, -17,8°C, ocorrida numa gélida madrugada de 1996 no alto do Morro da Igreja, num dos pontos mais altos da Serra Catarinense, a l .822 metros acima do nível do mar. Recorde assinalado pelo termômetro do Cindacta, o centro de controle de tráfego aéreo da Aeronáutica, instalado lá em cima.

Subir ao Morro da Igreja é um passeio que ninguém perde. Desde o centro são cerca de 40 minutos de carro. O caminho cruza a zona rural de Urubici, pontuado por plantações e casas de madeira coloridas de chaminés fumegantes. A cidade é conhecida como a capital das hortaliças. Hortas de tomate e beterraba integram-se à paisagem do vale, assim como os pomares de maçã, que se adaptaram bem ao clima frio local.

Na subida da serra, a temperatura vai caindo um pouco a cada curva. Lá de cima, no final do caminho, em frente ao portão do Cindacta, pode-se ver a Pedra Furada, uma enorme rocha em formato de arco no topo da montanha ao lado. E bem comum acontecer o que os catarinenses chamam de "viração", um denso nevoeiro que chega devagar e vai se juntando nas bordas das montanhas até encobrir toda a vista, como uma cortina que se fecha para o espetáculo do dia seguinte. O fenômeno acontece quase todos os finais de tarde, devido ao encontro dos ventos úmidos do litoral, que está a cerca de cem quilômetros dos paredões da Serra Geral, com o ar frio do alto das montanhas.

O Morro da Igreja é o ponto mais gelado do Brasil. A média de temperatura anual ali é de 7°C, ou seja, não é quente nem no verão. E agora que o inverno se aproxima, o frio e o vento sul, que joga a sensação térmica a muitos graus abaixo de zero, obriga os militares do Cindacta a proteger-se até o último fio de cabelo enquanto imaginam, entrincheirados dentro da guarita, se a neve vira nesse ano.

CURIOSAS INSCRIÇÕES RUPESTRES

No Morro do Avencal, em Urubici (bem ao lado da estrada para São Joaquim), há algumas inscrições rupestres curiosas: desenhos em formas geométricas e até um rosto gravados na pedra. Arqueólogos asseguram que são inscrições feitas por povos indígenas há cerca de quatro mil anos. Uma lenda local, porém, dá conta que seriam códigos secretos deixados por Cavaleiros da Ordem dosTemplários, os defensores do Santo Graal, que sabe-se lá como, teriam chegado por ali. A cada inverno gelado de Urubici, a história se perpetua um pouco mais em cada rodinha de chimar-rão que se forma em torno dos fogões a lenha das pousadas.
A partir da revista Viaje Mais (Ed. 96 - Maio/2009)
 
Serra Catarinense : Urubici
Serra Catarinense : Serra do Corvo
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