ILHA DO MEL (PR)


A Ilha do Mel, a cerca de 90 quilômetros de Curitiba, é um destino rústico, mas é a principal atração do pequeno litoral do Paraná. A Ilha do Mel nem ruas tem - só toscos caminhos de areia no meio da Mata Atlântica, por onde circulam os únicos veículos do lugar: bicicletas e uma espécie de carroça puxada por homens, já que nem cavalos são permitidos ali, porque ela é uma reserva natural e eqüinos não fazem parte de sua fauna nativa. Motos também não há. E automóveis, nem pensar. 

Todos os percursos são feitos a pé (caminha-se muito) ou de barco, em lanchas que funcionam como táxis-aquáticos. As praias (uma dúzia delas, todas de areia batida e mar nem sempre calmo, o que faz a alegria dos surfistas) são os caminhos naturais. Até porque, para evitar a destruição da mata, as trilhas limitam-se a meia dúzia de rotas preestabelecidas - sim, como você já deve ter percebido, a ilha é 100% ecológica, ou quase isso. Sua "avenida principal" não passa de uma picada de 2 metros de largura na areia fofa e por entre casas de madeira, na maior das duas vilas, a de Brasília.

A Ilha do Mel é grande. No mínimo, bem maior do que se costuma imaginar. De uma ponta a outra (caminho que ninguém faz) são mais de 15 quilômetros. De uma vila para a outra, mais de uma hora de caminhada - duas, se for parando pelas praias do caminho, o que, inclusive, quase todo mundo acaba fazendo. De um lado da ilha fica um grande farol, que ajuda a sinalizar a entrada do canal do porto de Paranaguá, cidade-referência de qualquer viagem para lá. Do outro, na metade do caminho para o extremo oposto (e desabitado) da ilha, está a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, construída em plena areia da praia, em 1770, pelos portugueses, para proteger a costa dos freqüentes ataques espanhóis, e muitíssimo bem preservada até hoje - visitá-la é a segunda maior atividade turística da ilha, depois das próprias praias, é claro. Já para os surfistas, que formam o maior contingente de visitantes habituais da ilha, o lugar é uma espécie de surf-camp permanente, com pranchas, bermudões e ofertas baratinhas por todos os lados. Tanto que o principal restaurante do lugar, o tradicional Mar&Sol, tem em seu cardápio vários "pratos-surf", com tentadores preços de R$ 6,50 para refeições com salada, batata-frita, peixe e até camarão! Por R$ 25, duas (geralmente três!) pessoas se fartam num banquete que vai de feijão com arroz a mariscos e casquinhas de siri. Nas mesas, a toalhinha de papel é o próprio mapa da ilha, para você ir programando os passeios enquanto come. Mas se ainda assim bater alguma dúvida, basta perguntar para qualquer nativo-ilhéu, que a conversa, sempre carregada do forte sotaque paranaense, rola fácil. 

As dúvidas mais freqüentes dos recém-chegados são: de onde vem o nome "Mel", já que, aparentemente, não há nenhuma abelha na ilha, e qual o nome que se dá às pessoas nascidas lá. As respostas para a origem do nome variam entre uma velha apicultura indígena do passado a um certo almirante inglês Mehl, que teria passado por lá séculos atrás. Já para a denominação dos moradores, os ilhéus são unânimes: "Quem nasce na Ilha do Mel é um doce de pessoa", brincam os nativos, que preferem ser chamados assim mesmo: de nativos. E com muito orgulho.

A Ilha do Mel tem, na verdade, uma legião de fervorosos fãs. Gente que, vira e mexe, pinta por lá, apesar de a ilha padecer do mal de ficar num Estado sem tradição alguma em belas praias. Mas talvez por isso mesmo ela se sobressaia tanto. Em meio ao lugar-comum e urbanizado das praias vizinhas do litoral paranaense, as areias virgens da Ilha do Mel mais parecem um oásis da natureza - um lugar onde o máximo de luxo que alguém pode se permitir é vestir um par de sandálias havaianas e passar a tarde balançando na rede de uma pousadinha simpática. Então? Que tal ir para um lugar assim?

Onde é e como chegar lá?

A Ilha do Mel é a maior atração do pequeno litoral do Paraná e fica a cerca de 90 quilômetros de Curitiba e pouco mais de 450 (ou seis horas de viagem) de São Paulo, a maioria dos quais pela temível Rodovia Régis Bittencourt, que, no entanto, já está duplicada em vários trechos e não é mais tão perigosa assim. Para descer para o litoral paranaense há uma rápida BR, mas prefira as deliciosas curvas da velha Estrada da Serra da Graciosa, um dos caminhos mais bonitos do Brasil e que mais parece um passeio pelo bosque da serra. Aproveite para fazer uma parada na folclórica cidade de Morretes, na beira da estrada, que tem tradição em qualquer coisa feita de banana (até cachaça!), além de ser a capital do prato mais típico do Paraná, o barreado, à base de carne com farinha (veja outra reportagem desta edição). Já para atravessar para a ilha, é preciso pegar um dos barcos oficiais que partem de hora em hora do embarcadouro do município de Pontal do Paraná, vizinho a Paranaguá. 


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A travessia custa R$ 14, ida-e-volta. Ou apenas R$ 9, se você pretender ir e não mais voltar.

Quanto custa?

A Pousada das Meninas é uma boa opção e  tem preços diferenciados por quartos e época do ano. São apenas nove habitações, divididas em três quartos simples com banheiros comunitários (R$ 60 a diária de casal, com café da manhã, agora, na alta temporada de verão), três suítes com banheiros privativos (R$ 90) e três chalés avulsos, estes separados da casa principal e subdivididos em tamanhos: chalezão (com mezanino e capacidade para quatro pessoas), chalezinho (pequeno, como o próprio nome diz) e chalé (o melhor e mais espaçoso). Todos, porém, custam o mesmo: R$ 120. Mas esses preços devem baixar, em média, 20% após o Carnaval. Com isso, os quartos irão para R$ 50; e os chalés, R$ 100. Para saber mais, ligue diretamente para a pousada (41/426-8023 ou acesse www.pousadadasmeninas.com.br)

Pousada Treze Luas (41/426-8067 - www.pousadatrezeluas.com); Pousada Plancton (41/426-8061); Pousada Estrela do Mar (41/426-9013, www.pousadaestreladomar.com.br); Pousada Enseada (41/426-8040, www.pousadaenseada.com.br). e Grajagan Surf Resort (41/426-8043, www.grajagan.com.br), este um interessante resort para surfistas, numa bela praia. Dependendo da época, todos negociam os preços. 
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